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Erico de Freitas Machado. A herança do grande conhecedor das orquídeas capixabas.

Fonte: Revista "Como Cultivar Orquídeas" edição nº35.
Clique aqui para baixar a reportagem na íntegra.

Toda a trajetória de estudo e dedicação de Érico de Freitas Machado chegou a Como Cultivar Orquídeas por meio de sua viúva Helga Hees de Freitas Machado. Para garantir que o trabalho de seu marido continue sendo divulgado e, dessa forma, contribua para o melhor conhecimento das plantas da família Orchidaceae, ela tem lutado com persistência e sucesso.

E Helga que nos conta a historia desse reconhecimento estudioso das orquídeas do Espírito Santo, que, apesar de ter focado suas pesquisas nas plantas do estado capixaba, nasceu na cidade de Pão de Açúcar, em Alagoas, no ano de 1925. Seguindo em 1945 para o Rio de Janeiro, RJ, onde foi cursar a Escola Nacional de Agronomia, da então Universidade Rural do Brasil.

Seu primeiro contato com as orquidáceas aconteceu ainda no estado fluminense. Certa vez, passando numa rua do centro da cidade se deparou com uma exposição de orquídeas. Entrou no local e ficou admirado com as lindas flores que tanto encantavam os visitantes do evento. Nessa ocasião, ele ainda nem sabia que plantas eram aquelas, lembra.

Já formado engenheiro agrônomo, Machado recebeu uma proposta de emprego do Espírito Santo,seguindo para o estado que se tornou seu lar de coração. Lá, ele lidava com café, direcionando os agricultores no cultivo correto nas grandes fazendas. Segundo Helga, foi quando teve a surpresa de encontrar novamente aquelas belas plantas que o havia fascinado tanto na capital carioca.

Ela diz que esse reencontro aconteceu na década de 1950, em Cachoeiro do Itapemirim. Nessa época, a doença conhecida como broca do café dizimou muitas culturas, já que as áreas contaminadas eram queimadas. Junto com os cafezais muitas orquídeas eram eliminadas. Reconhecendo-as, Machado começou a retirá-las das arvores condenadas e levá-las para a casa do pai de Helga, Djalma Eloy Hees, seu amigo.

Dessa forma, deu-se inicio o envolvimento do engenheiro agrônomo com a família Orchidaceae e também com sua esposa. “Logo depois desse acontecimento nos casamos. Então, fomos morar em uma cidade próxima de Cachoeiro de Itapemirim chamada Castelo, onde construímos nosso primeiro orquidário. Foi assim que tudo começou!”, recorda-se Helga.

Conhecimento

A partir daí, começou a estudar as orquídeas. De acordo com a viúva, como já possuía um orquidário, a pesquisa, alem de do conhecimento pessoal e para o meio orquidófilo, também foi uma maneira de garantir a qualidade de suas plantas, o que era importante para competir comercialmente com estabelecimentos mais antigos.

Já em 1957, a família Machado se mudou para a capital capixaba devido ao novo emprego do engenheiro agrônomo que ingressou no Ministério da Agricultura. Nesse mesmo período também começou a lecionar botânica na Faculdade Federal do Espírito Santo, o que o levou a pesquisar ainda mais as orquidáceas,aprofundando-se.

“Érico foi classificado por grandes pesquisadores do Brasil e também por estudiosos mundialmente ilustres como o maior conhecedor das orquídeas nativas do territorio capixaba”, destaca Helga. “Foi um defensor ferrenho do rico patrimônio do Espírito Santo, com seu notável acervo orquidófilo”, completa Antonio Carlos Sardenberg de Barros, orquidofilo e engenheiro agrônomo, de Vitória, ES.

Desde que chegou ao Espírito Santo seu contato com a orquidófilia se tornou muito intenso. Essa aproximação ainda fez com que fundasse a primeira sociedade orquidófila do estado, em 1957. “Isso permitiu um grande impulso a orquidófilia local. Foi Erico quem deu o “ponta pe” inicial a esse movimento”, garante a viúva.

Assim, Machado passou a se relacionar intensamente com outras pessoas e entidades do meio. Por exemplo, foi membro correspondente da OrquidáRio-Orquidofilos associados, do Rio de Janeiro, RJ, e da American Orchid Society West Palm Beach, sociedade da Florida, nos Estados Unidos. Também apresentou inúmeras palestras para diversas associações.

Helga ressalta que seu marido sempre procurou dividir seu conhecimento.
“Ele nunca se negava a ensinar”. Por isso, alem de suas exposições, ministrou cursos e redigiu artigos para revistas e boletins. Isso lhe garantiu tanto respeito como muitas amizades com grandes orquidófilos.

Colecionador

Machado, alem de reconhecido estudioso, também era grande colecionador, que admirava sobretudo as Cattleya warneri. “Para ele, eram as orquídeas mais belas. Por isso, deu o nome de Helga a sua C.warneri mais bonita em homenagem a mim, sua esposa e certamente seu grande amor”.

Ele também tinha um fascínio especial pelas microorquídeas. Chegou a construir para elas um orquidário exclusivo. Na verdade, o engenheiro agrônomo não criou apenas um orquidário, mas uma grande área de preservação, onde suas plantas são mantidas ate hoje.

A reserva chamada Florabela Orquídeas foi instalada em um terreno na cidade capixaba de Marechal Floriano, em 1960.

“Há dez anos, quando Érico ainda era vivo, abrimos a Florabela ao agroturismo.Assim, tornou-se um local de preservação e também de estudo, alem de uma reserva orquidófila. La, as orquídeas não são as únicas protegidas, mas também os pássaros e outros animais da região”, conta Helga.

Amigo de Machado, Oscar V. Sachs Junior, orquidófilo e administrador, de Taubaté, SP, conta do primeiro passeio que fez a reserva. “A Florabela foi uma surpresaa emocionante. A capoeira recuperada nos mostrava infinidade de orquídeas que Érico fixava nas arvores, utilizando um fio de novelo de la, pratica que passei a usar também”, detalha.

E continua: A “mata” formada por dracenas que abrigavam infinitas microorquídeas também impressionava, alem de plantas (seedling) de C.warneri, a flor majestade do Espírito Santo e a preferida de Érico. Com os exemplos que comprei na Florabela fiz muitos pontos em exposições.

“Foi um passeio inesquecível”.

Barros ressalta o trabalho de preservação. “A Mata Atlântica capixaba ficou reduzida a 7% de sua área original, mas a maioria de suas orquidáceas foi preservada pelo trabalho e pela dedicação dos orquidófilos, dentre eles se destaca como figura principal e de grande importância Érico de Freitas Machado”.

O grande sonho

Helga acredita que a maior gloria de Machado seria o lançamento de sua obra Historia do Patrimônio Natural do Espírito Santo-Orquídeas. No entanto, ele faleceu em 2003, antes de ver o projeto totalmente finalizado.

“Com o falecimento de Érico, realmente não acreditava mais que o livro sairia. Mas estava errado! Não conhecia a grande capacidade empreendedora da senhora Helga”, recorda-se Sachs Junior:

Ferdinando Bastos de Souza, da Documenta Histórica Editora, do Rio de Janeiro, RJ, que editou a obra, também afirma que ela insistiu muito para que a publicação fosse possível. “Helga e uma figura espetacular. Se não fosse ela, o livro não teria saído”.
Realmente foi a luta da viúva de Machado que tornou realidade o que parecia ser apenas um sonho.

“Coube a mim buscar patrocinadores para a edição e impressão.Contei com a ajuda valiosa de Ferdinando, que fez do livro de Érico uma obra-de-arte”, relata.

Souza lembra que já conhecia o estudioso de reuniões em entidades orquidófilas como a OrquidaRio-Orquidófilos Associados. Mais tarde, sabendo do conhecimento que ele tinha relacionado as orquídeas capixabas, o procurou para finalizar o trabalho de reedição da obra Orquídeas do Estado do Espírito Santo, do falecido pesquisador Augusto Ruschi.

Quando quis redigir seu próprio livro, Machado pediu a ajuda do editor da Documenta Histórica Editora, que prontamente atendeu ao amigo. No entanto, o projeto parou com seu falecimento. Passados dois anos, Souza voltou a trabalhar com a obra do engenheiro agrônomo, a pedido de Helga, contando com Delfina Araújo, orquidófila e orquidóloga, da capital carioca, como sua assistente. Assim, o livro foi finalizado.

Os estudos do engenheiro agrônomo publicados foram completamente reconhecidos e valorizados. Afirmação confirmada pela vendagem de todos os exemplares publicados, tendo, portanto, a primeira edição esgotada em apenas um mês.

“Historia do Patrimônio Natural do Espírito Santo-Orquideas e uma obra maiúscula, de cunho técnico-científico, produzido por alguém que amou, estudou e conviveu com as orquídeas”, destaca Osmar Odilon da Silva, orquidófilo, da capital catarinense.

Com tamanho sucesso, Helga agradece a todos que ajudaram a finalizar esse trabalho de Machado, principalmente os patrocinadores, Souza e Rubens da Silva Pontes(grande amigo da família). “Posso dizer que esse trabalho coroou a trajetória de Érico na orquidófilia”, finaliza essa verdadeira guerreira.

 

 

 
 
 
     

 

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